terça-feira, 16 de novembro de 2010

Jiu Jitsu

Tenho tomado uma surra de Meia Lua nas aulas de Jiu Jitsu. Meia trouxe sua experiência com o esta arte marcial e eu achei interessante o estado corporal que ela provoca e as possibilidades de movimento que podemos aproveitar.

Fui pesquisar no amigo Google. Jiu jitsu é a denominação da arte e jiu "jutsu" é a denominação da arte de guerra, é uma arte marcial japonesa que utiliza alavancas e pressões para derrubar, dominar e submeter o oponente, tradicionalmente sem usar golpes traumáticos.

O Jiu-jitsu era tratado como jóia das mais preciosas do Oriente. Era tão importante na sociedade japonesa que chegou a ser _ por decreto imperial _ proibido de ser ensinado fora do Japão ou aos não japoneses, proibição que atravessou os séculos até a primeira metade do século XX. Era considerado crime de lesa-pátria ensiná-lo aos não japoneses. Quem o fizesse era considerado traidor do Japão, condenado à morte, sua família perdia todos os bens que tivesse e sua moradia era incendiada. Com a introdução da cultura ocidental no Japão, promovida pelo Imperador Meiji (1867-1912), as Artes Marciais caíram em relativo desuso em função do advento das armas de fogo, que ofereciam a possibilidade de eliminação rápida do adversário sem o esforço da luta corporal. As artes de luta só voltaram a ser revalorizadas mais tarde, quando o Ocidente também já apreciava esse tipo de luta.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jiu-jitsu

Mais uma coisa para vermos em que dança isso vai dar.

Esta música maravilhosa (Gotham Lullaby - Meredith Monk) foi sugestão de Cassio Nobre para nosso processo criativo. Achei que poderia ficar interessante no video.

sábado, 13 de novembro de 2010

Hitler e uma canção polonesa

"Nós passaremos, em vocês a Alemanha viverá" Hitler discursando para jovens alemães. O que mais assusta é que eles não passaram para muitas pessoas, basta vermos as aberrações nos comentários do Youtube.

Quando pensei no projeto O Corpo Perturbador, eu tinha certeza que iria me deparar com coisas muito fortes, que eu teria que trabalhar muitos conteúdos meus, até mesmo pela exposição que este projeto me exige. Não posso pensar num projeto que fala sobre perturbação sem ser perturbado por ele.

Em algumas entrevistas feitas veio o tema Nazismo, violência, ditadura... Como esta mosntruosidade foi uma das maiores violências cometidas pelo homem, estará presente no espetáculo, numa cena que eu ainda não consegui tirar da cabeça e testar no corpo. Será brabo! Mas amenizada pela música de Emilie Lesbros, uma cantora francesa que compôs uma canção polenesa. A Polônia foi um dos países que mais sofreram com o Nazismo.

Publico hoje um discurso de Hitler que me faz tremer, porque semeia em mentes jovens o ideal nazista e dali a possibilidade de perpetuação deste mal, junto a este video a música de Emilie, tocando num violino mais antigo do que o Brasil, a música em polonês. Suave, linda.... Contrastes que explorarei em cena.

Penso nisso pela violência cotidiana que sofremos por trás de um discurso de acessibilidade e benfeitorias sociais, impondo uma idéia errada sobre inclusão, nos fazendo engolir gato por lebre.

Espero publicar logo o ensaio desta cena. Quero idéias e comentários. Sugestões.

Estamos programando a estréia para 09/12 e precisamos começar a fechar as coisas. Vocês poderão fazer o papel de olhar externo, de assistentes, por favor.



Eu posso ser réu também - Brunna Valin (entrevista)

"Eu não sou algo diferente, nem desigual, não sou vítima, nem quero ser"

"Eu posso ser réu também"

Conheci Brunna Valin em Setembro, no Rio de Janeiro, quando participamos juntos do Encontro da Diversidade Cultural Brasileira, na Fundição Progresso/Rio de Janeiro, promovido pela Secretaria da Identidade e da Diversidade do Ministério da Cultura.

A presença de Brunna foi muito importante neste encontro e sua entrevista uma das mais marcantes que fiz porque fala do que eu sinto em relação ao meu corpo. Embora ela fale sobre o corpo-travesti, podemos muito bem substituir pelo corpo-deficiente.

Quando ela fala sobre o ser réu, lembro de uma mulher que me falou como se fosse me elogiar, que preferia um filho deficiente a um filho marginal. Aquilo me chocou pela infeliz comparação, pela falta de cuidado com as palavras e pela agrassão do que me dizia, achando que estava sendo gentil. Respondi que eu poderia ser marginal se eu quisesse, que eu poderia lhe matar, lhe roubar. Que minha índole e meus valores não são resultado de minha situação física. Ficou um clima de constrangimento no ar e eu precisei sair para tomar uma Coca-cola. Agredir ainda mais meu corpo que já tinha sido tão agredido.

Brunna é militante do movimento de travestis e transexuais na cidade de São José do Rio Preto e do estado de São Paulo, coordena o Forum Paulista de Travestis e Transexuais e  representante da Associação Rio Pretense de Travestis e Transexuais (ARTTS).

Acessem: http://www.gada.org.br/asp/

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O sol perturbador

O sol saiu comemorando as visitas que recebemos no ensaio de hoje. Como uma criança sem noção do peso da mão caprichou no brilho da roupa, no calor do abraço e pegou pesado na temperatura. Expulsou as nuvens que queriam ver o que aconteceria naquele quinta da rua da Saúde. Pipocou os raios mais fortes, beijando nossos corpos. Tive que ser um anfitrião mal-educado e convidar as visitas para entrarem em casa, pois com aquela quentura não dava para continuarmos em companhia com o astro rei.

Eita sol perturbador!!! Agradeço pela atenção e vontade de nos fazer companhia.

Cássio chegou com suas máquinas de fazer encantos sonoros, Mili veio com Ryu para pensar a luz substituta do sol, os meninos da Miniusina com o chão e espaço para nossos corpos passearem.

Foi bem proveitoso e gostoso o papo, o encontro.

Miliane brincando no Penpincona

Cássio no papo

Lorena ajustando coisas no cenário


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Amarrando as amarras

Estamos começando a tentar "fechar" algumas coisas do processo. Fechar não é a palavra mais adequada, AMARRAR talvez. Amarrar as cordas na estrutura. Amarrar mus pudores e vergonhas no porão da moral. Amarrar meus olhares para o belo que acontece na simplicidade das coisas. Amarrar luz, música, espaço, , casca, corpo em tudo que compõe O Corpo Perturbador.

A pele transpirando, o ar que falta e alimenta, a água que sacia, a altura que amendronta.

Eita processo forte e parece tão leve, tão tranquilo. Tudo acontecendo dentro de seu tempo. Do tempo do Corpo.

Estamos chegando a um ponto de luz, a um ponto-Dança que me deixa animado e feliz. Estamos chegando quase lá.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Um roteiro para Makiba - entrevista O Corpo Perturbador



Makiba, minha Make, é uma segunda mãe para mim e minha irmã. Sua casa é onde me sintomais a vontade depois da minha. Seu colo, seu riso, seu senso de humor, suas histórias... Uma vida cheia de tragédias e de comicidade. Uma mulher retada. Né não, cabo?

Foi uma das minhas primeiras entrevistadas, fiquei guardando para publicar num momento especial. Seria no período de seu aniversário, mas eu estava viajando e passou o tempo. Agora que volto de Santo Amaro comemorando minha vida, com apresentação linda e uma festa maravilhosa, quero compartilhar com todos essa figura folclórica de minha terra, esta pessoa essencial em minha vida. Agora que voltarei a minha terra para apresentar a Judite tudo que eu sou e para lançar meu primeiro livro infantil, acho que é o momento ideal de apresentar também Makiba aos meus amigos que me visitam. Conhecer Makiba é conhecer mais de mim,. E como ela é perturbadora!

Makiba tem casos maravilhosos a contar. Sou louco para fazer uns curtas com suas histórias que parecem roteiro de cinema. Só um esclarecimento, seu nome é Genaide, mas por adorar a música Pata Pata e acharem parecida fisicamente com a famosa cantora Miriam Makeba, deram-lhe o apelido de Makiba.

Meu amor por toda a vida!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Meia Lua

Então ele chegou com aquele sorrisão e beleza, andando diferente de mim, sem se adaptar a cadeira, mas com um corpo tão semelhante. O olhar firme denunciava quem estava ali dentro, quem era aquele ali de fora. Conversamos um pouco, expliquei o projeto, meu interesse em tê-lo conosco por necessidade de me ver dançar, executar movimentos. Nunca tive referências próximas ao meu corpo dançando. Já trabalhei com outros deficîentes, mas nunca com alguém semelhante a mim e eu sentia falta disso, precisava dessa referência.

Meia Lua chegou por intermédio de Diane e foi um achado. Eu estava torcendo para um amigo poder participar, eu adoraria trabalhar com ele, mas Meia chegou e não tinha como não ser ele o escolhido. Pensamos, testamos outras pessoas, homens, mulheres, outras deficiências, mas não eram o que eu precisava neste momento. As pernas atrofiadas, a coluna em S igual a minha, barriga tanquinho como a minha deveria estar, braços fortes para se pendurar no elemento cênico criado pela Miniusina de Criação... Meia Lua ocupou o espeço que é dele e agora estou com um companheiro junto a mim. De um solo inicial, estou tentado a transformar num duo.

Ele luta Jiu-Jitsu comigo e quase me quebra. Ele joga capoeira. Ele ri. Ele fala pelos cotovelos. Ele...

Estou muito satisfeito com a chegada nele no projeto. Me trará outras possibilidades corporais, estimulará minha criatividade para aproveitar o seu potencial. Vamos ver no que isso vai dar! Acho que em coisa boa.

Abaixo algumas fotos da nossa pesquisa:






Fotos de Nei Lima