Fotos de Carolina Teixeira
Muitas vezes tem sido difícil para mim sair dos ensaios d'O Corpo Perturbador, principalmente porque saio em silêncio no meio de muito barulho. No fundo, no fundo há tanto barulho dentro de mim que necessito silenciar para absorver as coisas que se passam.
Tem sido violento, embroa eu tente amansar. Violento em todos os sentidos: No me desnudar em mim mesmo, na exposição do corpo, no encontro com o outro, nos embates de forma de ver as coisas, de sentir, nos medos, ansiedades, frustrações e tanta coisa. Mas alegre também.
Esta semana ganhei de presente a presença de Carol Teixeira que chegou nessa etapa para fazer um trabalho de corpo e oferecer seu olhar cuidadoso, atento e firme. O trabalho cresceu com Carol, tomou consistência, prumo.
Com exercícios de exaustão, força, expressão. Trouxe para nós a energia necessária e que muitas vezes estava faltando. Carol diz que eu sou "irritantemente delicado", mas ela atrás daquela fortaleza toda, trouxe uma emoção aflorando o tempo todo, um riso/choro, um estar fundamental ali, naquele espaço, nesse nosso território/CORPO.
A arte é sem dúvida a lupa do mundo. Tenho pensado tanto como o trabalho muitas vezes tem reverbarado o que anda acontecendo por aí. Uma territorialidade de algo que somos nós, mas que não nos pertence de fato. Uns bichos tomando conta do que é seu, sendo invadidos, agredidos, burlados. Muitas vezes violência camuflada em carinhos, caridades, solidariedades e discursos absurdos.
Estou com medo de onde estou mexendo, daqui a pouco sai a fera.
Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...
(Lenine)