quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Nunca mais o mesmo

Foto de Diane Portella


Isso é apenas mais uma perna. Perna de baco. Perna do homem. Perna de bicho.
Apenas.... Apenas?
Couro de cabra. Vão tirar meu couro.
Casco. Casca. Cascão de feridas
Feridas
Idas
Sem voltas

Agora que já foicnão volta mais. É irremediável, é caminho de única mão.
Depois desse Corpo Perturbador não serei NUNCA MAIS o mesmo

Lembro que fiz, há muito tempo, meu mapa astral e deu tanta agressividade que fiquei chocado com os meus astros. Hugo Leonardo que fez a leitura do mapa falou o tempo inteiro disso e eu concordei e eu sei o que de violento tem em mim e como foi essa agressão que me salvou no mundo, mas tem a doçura do sorriso verdadeiro, franco... Ameniza, talvez.

O CORPO é um bicho urrando dentro de mim!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

dIALÓGOS cRUZADOS


Nesta sexta-feira, 03/12, as 17h, faremos um ensaio aberto com um Papo Perturbador. A intenção é ter algumas pessoas com seus olhares sobre a obraantes da estréia. Agora que está tudo fechadinho, se ajustando, me interessa os olhares externos. Esses olhares que Carol fala, o outro, as pessoas... Não no sentido de saber se "ta bom ou ruim", se "gostei ou não gostei", "bonito ou feio", não, isso realmente não me interessa porque sao impressões bastante subjetivas e pessoais. Quero um olhar sobre outras impressões, as compreensões, em que território o trabalho atinge. Quero opiniões sobre as qualidades, dinâmicas, intensões... Quero uma compreensão sobre O Corpo Perturbador.

Também será um treino com público para Meia Lua que não é dançarino, vem de outra área (capoeira/jiu jitsu). Testaremos a luz,o figurino....

Depois do ensaio teremos um bate-papo "COMO TUDO SE MISTUROU E VIROU A OBRA" com a equipe do trabalho falando sobre a criação do cenário, luz, música, figurino. Carol Teixeira é a convidada deste dia para falar de sua tese de mestrado que aborda o deficiente em cena, interligando com o processo do Corpo.

Quem tiver interesse em participar e compartilhar esses Diálogos Cruzados (projeto de Fafá Daltro com discussões sobre processos de criação em Dança), por favor confirmem por email eduimpro@gmail.com a participação, porque teremos um número reduzido de convidados. Estou super feliz porque Lucas Valentim, Iara Cerqueira, Dinorah Oliveira, Alessandra Nohvais, Drica Rocha são alguns nomes que já confirmaram presença. Honradíssimo!!!!

Os nós começam a se amarrar!


terça-feira, 30 de novembro de 2010

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Roteiro fotográfico

Dando uma idéia de imagens pretendidas no espetáculo. Lógico que é um jogo que faço aqui com fotos dos ensaios, com brincadeiras, mas que seria importante se quem acessa o blog dissesse o que pensa sobre o que vê.
Vendo estas fotografias o que você sente? Poderiam me responder por comentário? 






Fotos de ensaios feitas por Lorena, Marcos e Diane

domingo, 28 de novembro de 2010

O Corpo de Deus - Jô Bilac (entrevista)



Confesso que estou sem jeito de escrever aqui nesta publicação, afinal Jô Bilac é um escritor e super reconhecido no Rio. Suas peças têm feito muito sucesso e recebido muitos elogios.

Mas aqui Jô me presenteou com um depoimento sobre algo que me perturba também constantemente: a existência, a condição humana, a morte e DEUS.

Lembrando de  Caetano, Existirmos a que será que se destina?





Peças de Jô Bilac

  • Sangue na Caixa de Areia
  • Bruxarias Urbanas
  • Desesperadas
  • 2 p/ viagem
  • Cachorro!
  • Limpe Todo Sangue Antes que Manche o Carpete
  • Rebú
A assessoria de Jô Bilac (Cléa Maria) pediu para completar com as peças mais recentes: O matador de Santas e Savana Glacial (Texto que lhe rendeu a indicação do Prêmio Shell 2010)!

Um pouco mais de delicadeza




Fotos de Carolina Teixeira

Muitas vezes tem sido difícil para mim sair dos ensaios d'O Corpo Perturbador, principalmente porque saio em silêncio no meio de muito barulho. No fundo, no fundo há tanto barulho dentro de mim que necessito silenciar para absorver as coisas que se passam.

Tem sido violento, embroa eu tente amansar. Violento em todos os sentidos: No me desnudar em mim mesmo, na exposição do corpo, no encontro com o outro, nos embates de forma de ver as coisas, de sentir, nos medos, ansiedades, frustrações e tanta coisa. Mas alegre também.

Esta semana ganhei de presente a presença de Carol Teixeira que chegou nessa etapa para fazer um trabalho de corpo e oferecer seu olhar cuidadoso, atento e firme. O trabalho cresceu com Carol, tomou consistência, prumo.

Com exercícios de exaustão, força, expressão. Trouxe para nós a energia necessária e que muitas vezes estava faltando. Carol diz que eu sou "irritantemente delicado", mas ela atrás daquela fortaleza toda, trouxe uma emoção aflorando o tempo todo, um riso/choro, um estar fundamental ali, naquele espaço, nesse nosso território/CORPO.

A arte é sem dúvida a lupa do mundo. Tenho pensado tanto como o trabalho muitas vezes tem reverbarado o que anda acontecendo por aí. Uma territorialidade de algo que somos nós, mas que não nos pertence de fato. Uns bichos tomando conta do que é seu, sendo invadidos, agredidos, burlados. Muitas vezes violência camuflada em carinhos, caridades, solidariedades e discursos absurdos.

Estou com medo de onde estou mexendo, daqui a pouco sai a fera.

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...
(Lenine)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O amor - Ed Moraes (entrevista)



Quero falar sobre amor. Estarrecido com essa guerra que vemos a toda hora pela tv, pela janela, pelos olhos dos outros e muitas vezes nos nossos próprios olhos, preciso falar de amor. Por isso publico a entrevista de Ed Moraes, um amigo que é todo amor, todo colo, todo costas, todo casa, abrigo, lar.

Nos conhecemos na loucura de viagens, idas a Sampa, vindas a Bahia e fomos nos encantando, amando como se a vida toda estivéssemos juntos e em silêncios, risos, palavras e músicas fomos fortalecendo os laços.

Ed é casa cheia em si mesmo mesmo. Alegria e companheirismos. Me coloca nessas costas e ganhamos o mundo, subindo ladeiras, descendo ruelas.

Pensei em amor, lembrei de Ed.

É de amor que precisamos ouvir falar, é o amor que precisamos exemplificar e gritar. A repetição de imagens violentas, de desamor, só reforçam isso. Então hoje

"TODO AMOR QUE HOUVER NESSA VIDA" para nós e para o Rio de Janeiro que vive um dos piores momentos de todos os tempos.

* Nesta entrevista Ed Moraes fala das perturbações de ser artista, da hipocrisia e de um corpo que não se revela.