quarta-feira, 18 de maio de 2011

O fôlego

Acordei como quem sonha. Aquela sonolência, o corpo sem responder direito aos estímulos, vontade de ficar por muito tempo no quentinho da cama. Levantei ao som irritante do despertador, já vestido para viagem. Delivery. Essas últimas semanas parecem brincadeira de fôlego na piscina, quanto mais vamos chegando perto da borda mais pensamos que não aguentaremos. O corpo pede descanso, a mente cansada de pensar e fazer conexões das mais variadas, às vezes insinua um thiuthu. Mas vamos em frente porque o coração indica as realizações.

A chegada de Londres me trouxe emoções diversas do que vivi e do que me esperava aqui. O Corpo Perturbador ficando pronto para o Rodin com antecedência surpreendente e o reencontro com Meia Lua, com a música de Cássio, Emilie e Sepultura. Dançar sob as bençãos da vida que grita esculpida por Krajcberg, sob o olhar de canto da escultura de Rodin, naquele templo que é o Palacete das Artes e tanto carinho de todo mundo de lá. Caji pegando a batata quente de aprender em um dia o roteiro musical, Nei gastando suas horas vagas em vestir o bicho, Lore na arrumação infinita do cenário e Cate na loucura das perdas da vida, faz ganharmos belezas. A falta de Diane se acentuou ontem. Mas houve o encontro com Anamaria que me trouxe novos olhares, nosvas perspectivas e prazer do encontro. O chocolate quente delicioso do Café completou a maravilha do dia.



Acho que nunca O Corpo Perturbador estará num lugar mais adequado para ser apresentado. O convite do Palecete das Artes veio trazer a leitura decisiva para o trabalho ao nos propor uma analogia entre as obras inacabadas do mestre Rodin e aos nossos movimentos e corpos inacabados por natureza, ou acabados de uma outra forma. A densidade dos músculos esculpidos em parceria com a densidade e força dos corpos dançantes. Sugiro a chegada mais cedo ao museu para ver as obras de Rodin e Krajcberg e depois ao nosso espetáculo. Com certeza, o olhar sobre o último virá carregado de informações que contribuirão para a leitura mais rica. Além de ser extraordinário compartilhar momentos com tamanha grandeza da arte.

Também é imperdível degustar qualquer coisa do Solar Café, naquele aconchegante espaço nos jardins do casarão.



Chegando em casa, a hora do recreio com o pequeno que me deu vida aos olhos e ao futuro sempre latente, naquele menino franzino e tão inteligente e carinhoso. Muitos beijos para uma pele arranhada e machucada de tanto dançar. Sarou meu peito apertado de tanta coisa.

Noite praticamente sem dormir no preparo de malas e material para a 2ª Ediçao do Fórum nacional 1 Minuto para a dança Piauí. Escrevendo agora no tempo livre da conexão em Fortaleza.

Retorno, na sexta-feira, para tomar fôlego e me perturbar no emaranhado dos meus CORPOS. Nem a chuva que teima em cair em Salvador estragará nossa brincadeira. Assim como no ICBA, se desabar água, estaremos prontos para entrar em cena. O público, como sempre, estará protegido. Podem ir.

Fotos de Nei Lima

Confira a programação do Palacete das Artes Rodin Bahia na Semana de Museus: http://www.palacetedasartes.ba.gov.br/programacao/9%C2%AA-semana-nacional-de-museus-de-16-a-22-de-maio-de-2011.html

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Corpo Perturbador na 9ª Semana Nacional de Museus

9ª Semana Nacional de Museus – de 16 a 22 de maio de 2011

Do dia 16 a 22 de maio o país comemora a 9ª Semana Nacional de Museus que este ano tem como tema principal ” Museu e Memória” instituído pelo Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM –  . As equipes de todos os museus do Estado da Bahia ligados ao sistema SecultBa/Ipac/ Dimus participam do evento promovendo atividades sócio-educativas de Arte, Literatura e Música  aberta gratuítamente ao grande público.
Neste período o Palacete das Artes Rodin Bahia promove Oficinas, cursos, palestras e atividades eucativas e agenda visitas às duas grandes exposições que abriga em sua séde : ” Auguste Rodin, Homem e Gênio ” e a mostra de Frans Krajcberg ”  Grito ” Ano Munidal da Árvore”.
Confira abaixo a programação do Palacete das Artes e se programe :
Do dia 16 a 22 de maio o país comemora a 9ª Semana Nacional de Museus que este ano tem como tema principal ” Museu e Memória” instituído pelo Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM –  .
As equipes de todos os museus do Estado da Bahia ligados ao sistema SecultBa/Ipac/ Dimus participam do evento promovendo atividades sócio-educativas de Arte, Literatura e Música  aberta gratuítamente ao grande público.
 
Neste período o Palacete das Artes Rodin Bahia promove Oficinas, cursos, palestras e atividades educativas e agenda visitas às duas grandes exposições que abriga em sua sede :
” Auguste Rodin, Homem e Gênio ” e a mostra de Frans Krajcberg ”   e “Grito:  Ano Munidal da Árvore”.
Confira abaixo a programação do Palacete das Artes e se programe :
 
Visita monitorada a Exposição “Auguste Rodin Homem e Gênio”
Visita de grupos, previamente agendados, que são acompanhados por mediadores por toda a exposição “Auguste Rodin, Homem e Gênio”. O mediador fará uma breve contextualização sobre o artista, as obras expostas, e sobre o Palacete Martins Catharino.
Memórias no Palacete das Artes
O Projeto “Memórias no Palacete” é uma iniciativa de estimulo perceptivo, dinamização, exercício reflexivo, e interação entre o Palacete – o que ele tem a oferecer – e o público. O objetivo é incentivar os participantes a valorizar as suas memórias individuais – sua história, suas experiências de vida – mostrando a importância dos museus enquanto instituições de salva-guarda da memória, e um espaço que pode dialogar com suas vidas.
Re-lendo Rodin
Esta atividade tem como objetivo incentivar a criatividade, utilizando as obras de Auguste Rodin expostas na exposição como inspiração. A relevância desse trabalho está no fato de dar uma dinamicidade à atividade de monitoria já existente. Além de tirar o público-alvo da “zona de conforto”, eles deixam de ser passivos “ouvintes” e virão agentes produtores, criativos no processo de aprendizagem. A atividade será conduzida pela equipe do Setor Educativo e feita com argila ou massa de modelar, o material será escolhido de acordo com a faixa etária do grupo, crianças apartir de 04 anos poderá fazer a atividade.
Oficina “Ritos, Sentidos e Memória”
Esta atividade será voltada ao público da 3ª idade. Tem como objetivo proporcionar-lhes o contato com a linguagem teatral e sua relação com a memória, experiência de vida, o prazer de lembrar, representar e conhecer novas. Essa oficina será conduzida pela atriz Carla Bastos, tendo apoio de membros do Setor Educativo. Disponibilidade de 20 vagas.
Oficina “A memória do corpo”
Através de jogos improvisações e exercícios teatrais, os participantes experimentarão o autoconhecimento, a superação de limites e as varias fases do processo de construção de personagens. Disponibilidade de 20 vagas.
 
O Corpo Perturbador
O projeto tem como principal temática o corpo com deficiência na perspectiva da sexualidade, e a partir dele promover discussões acerca das relações de poder implicadas nos processos sociais que envolvem as pessoas com deficiência. Nesta proposta buscam-se analogias entre a estética do inacabado nas obras de Rodin e os corpos atuantes em cena, através de contorções dos corpos e da pesquisa de movimentos densos e pesados.
 
Marilda Fontes – Projeto de Literatura Infantil
Marilda Fontes é um projeto que nasceu da vivência de educadores em instituições escolares, que através das suas experiências e dos conteúdos de projetos didáticos do universo infantil inspirou a elaboração do livro “Os Nomes de Marilda” e sua coletânea, com a personagem central MARILDA FONTES, que representa um símbolo desse universo infantil, imersos em conflitos, medos, reações, relações, questionamentos específicos dessa fase.
O livro é apresentado de maneira lúdica com oficinas, música e animações, tudo em um só evento, visando incentivar a leitura e estimular a aprendizagem da criança na escola.
 
 

domingo, 8 de maio de 2011

Minha vida Macabéia

- Me desculpe eu perguntar: ser feia dói?

- Nunca pensei nisso, acho que dói um pouquinho. Mas eu lhe pergunto se você que é feia sente dor.

- Eu não sou feia!!! - gritou Glória.

Depois tudo passou e Macabéa continuou a gostar de não pensar em nada. Vazia, vazia. Como eu disse, ela não tinha anjo da guarda. Mas se arranjava como podia. Quanto ao mais, ela era quase impessoal. Glória perguntou-lhe:

- Por que é que você me pede tanta aspirina? Não estou reclamando, embora isso custe dinheiro.
- É para eu não me doer.

- Como é que é? Hein? Você se dói?

- Eu me dôo o tempo todo.

- Aonde?

- Dentro, não sei explicar.


Clarice Lispector (A Hora da Estrela)
***Lembro das inúmeras vezes que li este livro e da emoção que me causou e que ainda me causa. A crueza das relações, a verdade, o vazio... o doer. Macabéia me faz lembrar de mim.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Os novos mesmos pares ou meu amigo é amigo da Rainha

Há sentimentos que somente os semelhantes são capazes de sentir, o outro mesmo que compreenda não poderá jamais experimentar no corpo tal coisa, posso dar como exemplo ser mãe, posso imaginar o que venha a ser, mas tenho certeza quem nem de longe eu saberei ao certo o que é isso, nunca, jamais.
Hoje encontrei mais um par. Em apenas dois minutos isso se revelou e me emocionou demais,  assim como no meu encontro com Estela Lapponi e Carolina Teixeira. Hoje a minha bolhinha de sabão encontrou com a bolhinha de Dan Daw e cresceu mais um pouco quando ele me mostrou seu vídeo Crush, um trailler de um solo de dança que me fascinou, criado em parceria com Liv Lorent. Dan é um desses artistas que você se sente privilegiado em conhecer e tem vontade de estar ao lado para absorver seus pensamentos, sua arte, tem uma inteligência fina, rápida, humor, brilho. Ele é contratado da Candoco Dance Company e eu fui convidado para este este trabalho, o projeto Unlimited, mas infelizmente não estamos fazendo nada juntos no espetáculo.
Dan Daw me deu de presente esta visão. Ao ver um flash do seu solo pude constatar mais uma vez que não estou só no mundo, que mais alguém sabe exatamente do que quero falar e sinto.  Ainda com o metrô em movimento, destravei a cadeira e lhe beijei o rosto e abracei agradecendo por aquele instante mágico, aquela revelação. Planejamos coisas juntos. Evoé que aconteça.
Dan não é apenas um homem lindo, com um corpo incrível e dança de beleza única, ele ainda é amigo da Rainha.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

União homoafetiva

"Casamento civil e união estável são distintos, mas os dois resultam na mesma coisa: a constituição de uma família". - ministro Ayres Britto
 
Estou muito emocionado com essa votação do STF aprovando a união estável homoafetiva. Vou poder garantir o pé de meia junto com o amado, cuidarmos um do outro com plano de saúde, termos direitos, constituir uma família.
 
Que dia fantástico para a militância e para quem não está nem aí para isso também, afinal cidadania é conquista de todo mundo. Com a conquista de mais um direito na sociedade, todos são beneficiados. Precisamos compreender direito a importância desse dia. Se faz necessária também a votação que criminaliza a homofobia. URGENTE!
 
Isso mesmo, comemorando uma grande vitória, mas não esquecendo de outras lutas urgentes e importantes.
 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Noite sem sono

Já era madrugada e eu rolando na cama vazia sem ele chegar. Por onde será que anda a uma hora dessas? Havia aparecido mais cedo, me jogado na cama e se enrolado comigo na colcha grossa protegendo do frio, chegou e saiu assustado por causa de um pesadelo. Em que quarto está metido, curtindo com quem? Ouvi vozes nos vizinhos, lá também não deveria estar.
Cantei música baixinho, me embalei como criança... nada. Não adiantou oração para anjo protetor que a uma altura dessas descansava no colchão no chão tamanha fadiga do trabalho diário. Fiquei com vergonha de incomodá-lo. Não adiantou palavras-cruzadas, não adiantou exercício de respiração. E se ele só aparecesse de manhã, como eu iria ficar? Cara amassada de bêbado sem cachaça, cabelo despenteado sem fio para arrumar, corpo triturado sem trepada... Fechei os olhos para fazer jogos mentais, inventei historinha... de repente o despertador tocou. Abri os olhos feliz, ele havia chegado.

domingo, 1 de maio de 2011

Aprendendo a ser def

Tenho 34 anos de idade e há 33 sou def. Tive Poliomielite com 1 ano e por isso não tenho outra referência que não seja a vida com a deficiência. Desde muito pequeno fui aprendendo naturalmente e sendo ensinado por minha mãe, minha irmã, amigos e a cidade (espaço público mesmo) a lidar com as coisas, a fazer adaptações para que soubesse lidar com meu corpo de forma sadia e alegre.

Morávamos em casa com escada, então aprendi pequenininho a subir e descer de bunda, a jogar a toalha para encaixar no gancho alto na parede, a apoiar os braços parasentar nas cadeiras, a pular para descer delas.... aprendi a subir em árvore, andar de carro de mão me equilibrando para não cair quando minha irmã não agüentava o peso, ela também pequena, andei de bicicleta com minha mãe empurrando, depois na garupa dos amigos, assim também nas motos, subi em carroceria de caçamba, empinei pipa, joguei gude e era reserva no baleado. Fui craque em brincar de elástico com cadeira e fui um pai maravilhoso para meus filhos Playmobil. Enfim, fui uma criança que fazia tudo que as outras faziam, mas tudo num tempo diferente, no tempo possível para meu corpo, havia outras coisas que eu não conseguia ou não podia fazer e lógico que isso é uma negociação com as frustrações, saber lidar com as impossibilidades e fazer as limonadas com os limões que vão aparecendo diariamente, mas também compreendia que os outros tinham as suas próprias frustrações que passavam longe das minhas e que não me afetavam assim como as minhas não lhes diziam respeito. A grande filosofia do “cada um no seu quadrado’.

Até hoje aprendo a ser def porque as necessidades vão mudando com a idade, os desejos e o próprio envelhecimento do corpo. E acho maravilhoso estar mais maduro para enxergar tudo isso e perceber as burradas, os acertos, a vontade de mudar certos padrões ou a burrice de insistir na manutenção de outros que nos aprisionam, paralisam. Somado a toda aprendizagem tem as experiências pessoais, familiares, escolares, o ciclo de convivência que afeta drasticamente na sua compreensão de vida e do entendimento do outro. Porque eu só aprendi a lidar comigo mesmo sabendo que sou também o outro para você e fazemos parte de um mesmo balaio. Eu no meu tempo e nas minhas limitações, você no seu tempo e nas suas limitações e podemos voar juntos se quisermos, mas quem quiser rastejar.... aí é do desejo e capacidade individual de cada um, sem juizo de valor, sem melhor nem pior. Apenas diferentes e por isso mesmo iguais.