domingo, 18 de fevereiro de 2024

Nunca Mais Abismos estreia no Sesc Pompeia


Card de divulgação de Nunca Mais Abismos, de 01 a 10 de março, no Sesc Pompeia/SP, escrito em branco. Ao centro, fotomontagem com partes dos corpos de Edu O., Estela Lapponi e Jania Santos onde destaca-se um grande olho em meio a um triângulo formado por pernas. Na parte superior e inferir, duas faixas rosas com letras pretas escrito "Nunca Mais Abismos" diversas vezes.


Tendo como ponto de partida a pesquisa de Edu O. sobre a bipedia compulsória, Nunca Mais Abismosreúne uma série de performances criadas por artistas com deficiência, ou Artistas Defs (termo escolhido pelo próprio projeto). Essa experiência de relaxed performance pode ser conferida no Sesc Pompeiaentre 1º e 10 de março, de quinta-feira a sábado, das 17h às 21h, e no domingo, das 15h às 19h. 

O projeto ainda conta com o Conversa Aleijada, um ciclo de bate-papo com os artistas Defs, que criam uma reflexão sobre suas pesquisas e práticas artísticas, considerando a deficiência como propulsora de seus processos criativos. Os encontros são mediados por Edu O. e acontecem 5 e 6 de março, às 19h. A programação finaliza no dia 10 de março com uma Silent Disco, das 18h às 19h, tendo Estela Lapponi como DJ.

Nunca Mais Abismos propõe novas narrativas à história que insiste nos constantes relatos de exclusão, abandono e violência, lembrando sempre dos abismos gregos onde eram jogadas as crianças que nasciam com algum tipo de deficiência na antiguidade. O projeto também celebra as inegáveis mudanças provocadas pela presença das pessoas com deficiência, ao longo do tempo, rompendo as lógicas normativas e promovendo mudanças nas diversas áreas como ciência, arte, tecnologia, comunicação, arquitetura etc.

O trabalho teve sua estreia em 2022, no Festival Theaterformen, na cidade de Braunschweig, na Alemanha, e, em 2023, participou da Bienal Sesc de Dança, na cidade de Campinas. Agora, na nova apresentação no Sesc Pompeia, o projeto foi reformulado e ganha um formato inédito.

Ao longo de sete dias, com quatro horas diárias de relaxed performance, Nunca Mais Abismo reúne oito dos principais nomes de artistas Defs no cenário da arte contemporânea brasileira. São eles Edu O., Estela Lapponi, Jania Santos, Moira Braga, Jéssica Teixeira, Elinilson Soares, Ariadne Antico e Quixote. O trabalho conta ainda com a presença do artista Thiago Cohen e da intérprete de Libras e performer Cintia Santos, as únicas pessoas sem deficiência do elenco. 

Com origem no Reino Unido, na década de 1990, a Relaxed Performance é uma proposta que visa repensar as convenções dos espaços cênicos e tornar as performances mais acessíveis aos artistas e ao público, proporcionando um espaço de acolhimento às mais diversas experiências. Esse tipo de trabalho difere das performances de longa duração ou das instalações artísticas por ter como princípio as experiências sensoriais no contexto da deficiência e da acessibilidade.

O Galpão do Sesc Pompeia será transformado gradativamente pela tessitura de uma grande rede feita por nós, escritas e fotografias. Durante as apresentações, três momentos reverberam entre si e criam espaços de fluência e troca entre artistas, público e espaço, compreendidos como: Nós, Emergir e Silêncio.

Confira abaixo uma breve descrição de cada um desses momentos:

NÓS
Quando: 
De quinta a sábado, das 17h às 19h, e no domingo, das 15h às 17h

 

Nesta performance coletiva, durante as duas primeiras horas, uma ação repetida inúmeras vezes transforma, gradativamente o espaço, afirmando incisivamente: NUNCA MAIS ABISMOS. À sua maneira, se desejar, o público pode ser parte dessa transformação ou compartilhar do mesmo espaço de convivência, apreciando a instalação durante o tempo que lhe aprouver. 

 

EMERGIR

Quando: De quinta a sábado, das 19h às 20h; e no domingo, das 17h às 18h

 

No segundo momento, pequenos solos (performance, dança, palhaçaria, poesia e música) revelam as individualidades e estratégias de cada artista para impedir seus abismos pessoais. 

 

      Canto para Exu (Thiago Cohen) 

Thiago Cohen canta para abrir os trabalhos. Um canto para abrir os caminhos...

Instagram: @thi_cohen

 

      Atravessamento (Jania Santos)

Abrir passagens. Sentir-se livre. Ir. Voltar. A gente não sabe onde vai parar. Ao som do Canto para Exu, Jania Santos dança expandindo horizontes.

Instagram: @janiasantos_

 

      A foto mais bonita do mundo (Edu O.)

A partir de uma situação vivida na infância, Edu O. faz uma festa e reivindica a alegria como ação transformadora.

Instagram: @eduimpro

 

      Na minha casa, eu não faço curva! (Estela Lapponi)

É uma performance manifesto. Como um grito de pertencimento. Como marcar o meu território. Como chutar o capacitismo que obstrui o meu caminho.

Instagram: @estelapponi

 

      Pontuando (Moira Braga)

Sinopse: Performance de Moira Braga que surge com o desejo de fazer da escrita em braile mais uma composição das diversas formas de dizer “nunca mais abismos“.

Instagram: @moirabraga

 

      Menos Máscaras, Mais Churros (Ariadne Antico

Ariadne Antico (palhaça Birita) se desfaz das máscaras que vestiu durante toda a vida, a começar pela última, a melhor e menor máscara do mundo: o nariz vermelho. 

Instagram: @ariadne_dida

 

      Mergulho (Elinilson Soares)

Elinilson Soares mergulha em suas memórias, recontando histórias com sua poesia surda

Instagram: @elinilsonsoares

 

      Lugar de Falta (Jéssica Teixeira)

Lugar de Falta. Não é de fala. Não é de escuta. É de falta. Neste fragmento cênico, Jéssica Teixeira se propõe a repensar ludicamente o que falta em cada um e, para lidar melhor com esse lugar, ela traz a percepção como uma chave necessária para abrir outros portais e formas sábias de atuação e convivência nesse mundo. A performer se propõe a conversar com Deus sobre essas percepções e sobre as noções de paraíso inventadas pela humanidade. Será que nesse paraíso é possível existir gente estanha?

Instagram: @ela.jessicateixeira

 

      Quixote

O músico Quixote fará a trilha ao vivo de Nunca Mais Abismos

Instagram @quixote.oficial

 

SILÊNCIO

Quando: De quinta a sábado, das 20h às 21h, e no domingo, das 18h às 19h 

Momento em que a própria instalação apresenta suas dinâmicas e acolhimentos sem a presença das pessoas artistas.

 

ZULEIKADA

Quando: 10 de março, das 18h às 19h

O projeto encerra com a performance Zuleikada, de Estela Lapponi, que consiste numa Silent Disco onde as pessoas dançam com fones de ouvidos.

 

CONVERSA ALEIJADA
Quando: 5 e 6 de março, às 19h

Com mediação de Edu O., o projeto Conversa Aleijada propõe o diálogo entre artistas Defs e a reflexão sobre suas pesquisas e práticas artísticas, considerando a deficiência como propulsora dos processos criativos e importante ferramenta na produção de conhecimento no campo das artes. Tendo como base a Teoria Crip ou Teoria Aleijada, apresentada por Robert McRuer, esses encontros atualizam os modos de compreensão sobre deficiência, arte e acessibilidade cultural. 

Programação Conversa Aleijada

05 de março – Conversa Aleijada com Moira Braga, Jania Santos, Elinilson Soares e Quixote.

06 de março – Conversa Aleijada com Estela Lapponi, Jéssica Teixeira e Ariadne Antico

 

Ficha Técnica

Idealização e Direção: Edu O.

Performance: Edu O., Jania Santos, Estela Lapponi, Ariadne Antico, Moira Braga, Jéssica Teixeira e Thiago Cohen

Trilha sonora ao vivo: Quixote

Performance/intérprete de Libras: Elinilson Soares e Cintia Santos

Roteiro de audiodescrição: Estela Lapponi

Consultoria de audiodescrição: Moira Braga

Consultoria de acessibilidade: Thamyle Vieira

Direção de produção: Daiana Carvalho

Produção e figurino: Nei Lima

Produção executiva: Loretta Pelosi

Cenário: Cristiano Piton

Iluminação e Design Gráfico: Aldren Lincoln

Fotografia: Aldren Lincoln e Nina Pires

Realização: Dê Um Sinal

Assessoria de comunicação: Pombo Correio Assessoria de Comunicação

 

Serviço

Nunca Mais Abismos

Quando: 1º a 10 de março, de quinta a sábado, das 17h às 21h, e no domingo, das 16h às 20h

Sesc Pompeia – R. Clélia, 93, Água Branca

Ingressos: entrada gratuita

Duração: 4 horas

Classificação: livre

Acessibilidade: para todos os públicos