segunda-feira, 21 de março de 2011
Devoteísmo: uma questão de escolha (?)
A fotógrafa Kica de Castro realizará uma exposição sobre Devoteísmo na Reatech/São Paulo, no mês de Abril. Nesta mesma ocasião participarei do Seminário sobre Sexualidade no Corpo da Pessoa com Deficiência. Estou muito animado e feliz com o convite, agradecido a Márcia Gori (modelo da foto) que fe o contato comigo a partir do trabalho O Corpo Perturbador.
Aqui está o link sobre a exposição de Kica na Reatech: http://www.deficienteciente.com.br/2011/02/toda-nudez-vai-ser-revelada-exposicao.html
domingo, 13 de março de 2011
Versos Íntimos
Augusto dos Anjos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
sexta-feira, 11 de março de 2011
O dedo que fura o bolo
Tenho muita coisa a comemorar, é verdade! Projetos bem sucedidos, viagens, família, vida profissional estabilizada e um amor companheiro. Um ano se anunciando cheio de coisas para fazer, apresentações, convites, idéias.... Muito o que festejar! Mas sempre há aquela azeitona estragada na empada e um dedo furando o blo antes dos parabéns. Comigo isso é corriqueiro e já aprendi a gritar quando o mesmo dedo aperta minha cabeça. Nesses dias que sucederam Londres não foi diferente.
Cheguei feliz da vida por ter conquistado o trabalho dos meus sonhos, participando do Candoco num projeto tão especial, exercendo minha vocação com respeito e muito trabalho, mas ao final da viagem a TAP (Tamancos Aéreos Portugueses) resolveu jogar água na brincadeira e quebrou a minha cadeira de rodas. Já falei sobre isso aqui, mas nunca é demais repetir.
Era um domingo e voltei para casa com a cadeira quebrada porque o gerente que estava responsável na hora disse não ter o que fazer a não ser anotar minha reclamação e que ele estava com outras urgências para resolver. Na segunda-feira, Sra. Sheila me procurou e resolveram pegar minha cadeira quebrada para consertar na Loja do Paciente, pois esta é especializada em cadeiras Ortobrás, marca que prefiro por ser confortável e já trabalhar com ela há bastante tempo. Para quem não sabe cadeira de rodas é igual a roupa, compramos por numeração e é adequada ao peso e altura da pessoa. A TAP foi informada disso, mas alugou uma cadeira enorme, pesada e sem conforto nenhum pra me emprestar. O prazo de entrega da minha cadeira seria de 15 dias, ou seja, só chegaria depois do carnaval. Até lá eu estaria prejudicado no meu trabalho, pq precisava ensaiar e continuar meus exercícios físicos para não perder massa muscular e condicionamento, já que sou dançarino profissional. Impossível ensaiar com a cadeira emprestada por causa de seu tamanho e peso. Para completar a cadeira não entra no elevador do meu prédio. Tenho que sair desta para uma plástica que é colocada na hora que preciso sair de casa.
Ciente de que já estava prejudicado, aguardei com angústia o carnaval passar para providenciar a entrega da minha cadeira pois amanhã tenho apresentação de Judite quer, mas não consegue! e preciso da cadeira para trabalhar. Liguei hoje para a Loja do Paciente e eles me informaram que o serviço não foi feito completamente porque a TAP não encomendou as peças que eram necessárias para isso. Tentei falar com a empresa o dia todo e o telefone só dava ocupado, depois chama e não atende. Consegui, através do telefone da Infraero, o contato com o escritório da empresa aérea e ao falar com a pessoa que me atendeu, esta não sabia o q fazer, o que falar... Ficou de me dar um retorno, mas até agora nada. Torno a ligar e só dá ocupado. Depois de muito tempo me ligaram como num passe de mágica conseguiram uma cadeira semelhante a minha. farão a troca para q eu possa me apresentar, mas a minha cadeira não tem previsão de entrega. Hoje tenho ensaio e já estou atrasado tentando resolver esse problema. Estou tomando reclamação da produção porque o colégio tem horário para o meu ensaio. Agora que estou completamente transtornado, desconcentrado e sem condições para dançar durante todo o tempo necessário para afinação de luz e som e espaço e tudo mais que quem trabalha com dança sabe que precisamos estar num estado de corpo e psicológico ideal para fazer.
Claro que já entrei com processo, mas o mal causado não tem valor que me restitua. O choro, o grito, a raiva que só fazem mal a mim mesmo, ninguém mais me tira. A vontade de vomitar, a dor de cabeça, a dor de barriga. O descaso, o despreparo, o desrespeito. Não sei o que passa pela cabeça desse povo. Será que não entendem o que uma cadeira de rodas significa para um cadeirante? Devem achar q não saio de casa, q não trabalho e nem tenho direito a diversão.
Quero gritar, quero que eles saibam o quanto estão errados, mas lógico que não terão acesso a esta queixa e a mim só resta morrer um pouco a cada minuto de ansiedade e raiva.
Cheguei feliz da vida por ter conquistado o trabalho dos meus sonhos, participando do Candoco num projeto tão especial, exercendo minha vocação com respeito e muito trabalho, mas ao final da viagem a TAP (Tamancos Aéreos Portugueses) resolveu jogar água na brincadeira e quebrou a minha cadeira de rodas. Já falei sobre isso aqui, mas nunca é demais repetir.
Era um domingo e voltei para casa com a cadeira quebrada porque o gerente que estava responsável na hora disse não ter o que fazer a não ser anotar minha reclamação e que ele estava com outras urgências para resolver. Na segunda-feira, Sra. Sheila me procurou e resolveram pegar minha cadeira quebrada para consertar na Loja do Paciente, pois esta é especializada em cadeiras Ortobrás, marca que prefiro por ser confortável e já trabalhar com ela há bastante tempo. Para quem não sabe cadeira de rodas é igual a roupa, compramos por numeração e é adequada ao peso e altura da pessoa. A TAP foi informada disso, mas alugou uma cadeira enorme, pesada e sem conforto nenhum pra me emprestar. O prazo de entrega da minha cadeira seria de 15 dias, ou seja, só chegaria depois do carnaval. Até lá eu estaria prejudicado no meu trabalho, pq precisava ensaiar e continuar meus exercícios físicos para não perder massa muscular e condicionamento, já que sou dançarino profissional. Impossível ensaiar com a cadeira emprestada por causa de seu tamanho e peso. Para completar a cadeira não entra no elevador do meu prédio. Tenho que sair desta para uma plástica que é colocada na hora que preciso sair de casa.
Ciente de que já estava prejudicado, aguardei com angústia o carnaval passar para providenciar a entrega da minha cadeira pois amanhã tenho apresentação de Judite quer, mas não consegue! e preciso da cadeira para trabalhar. Liguei hoje para a Loja do Paciente e eles me informaram que o serviço não foi feito completamente porque a TAP não encomendou as peças que eram necessárias para isso. Tentei falar com a empresa o dia todo e o telefone só dava ocupado, depois chama e não atende. Consegui, através do telefone da Infraero, o contato com o escritório da empresa aérea e ao falar com a pessoa que me atendeu, esta não sabia o q fazer, o que falar... Ficou de me dar um retorno, mas até agora nada. Torno a ligar e só dá ocupado. Depois de muito tempo me ligaram como num passe de mágica conseguiram uma cadeira semelhante a minha. farão a troca para q eu possa me apresentar, mas a minha cadeira não tem previsão de entrega. Hoje tenho ensaio e já estou atrasado tentando resolver esse problema. Estou tomando reclamação da produção porque o colégio tem horário para o meu ensaio. Agora que estou completamente transtornado, desconcentrado e sem condições para dançar durante todo o tempo necessário para afinação de luz e som e espaço e tudo mais que quem trabalha com dança sabe que precisamos estar num estado de corpo e psicológico ideal para fazer.
Claro que já entrei com processo, mas o mal causado não tem valor que me restitua. O choro, o grito, a raiva que só fazem mal a mim mesmo, ninguém mais me tira. A vontade de vomitar, a dor de cabeça, a dor de barriga. O descaso, o despreparo, o desrespeito. Não sei o que passa pela cabeça desse povo. Será que não entendem o que uma cadeira de rodas significa para um cadeirante? Devem achar q não saio de casa, q não trabalho e nem tenho direito a diversão.
Quero gritar, quero que eles saibam o quanto estão errados, mas lógico que não terão acesso a esta queixa e a mim só resta morrer um pouco a cada minuto de ansiedade e raiva.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Entrevista na Record Internacional
Neste link está a entrevista que dei a Record Internacional quando estava em Londres trabalhando com o Candoco. Saiu esta semana, em pleno carnaval, mas muita gente viu, me escreveu, telefonou. Obrigado a todos pela alegria.
http://noticias.r7.com/videos/bailarinos-especiais-brasileiros-se-preparam-para-dancar-na-olimpiada-de-londres/idmedia/b551ed8d1455cf31b15b347ae20afea8.html
segunda-feira, 7 de março de 2011
Palacete das Artes Rodin Bahia
Galera enquantom descanso para pegar energia no penúltimo dia de carnaval e me esbaldar mais tarde, venho comunicar a maravilhosa notícia de que fechamos, semana passada, a volta do espetáculo O Corpo Perturbador no Palacete das Artes Rodin Bahia em Maio. Chegando de Londres, viajo imediatamente ao Piauí e emendo com o Rodin. To quase cantor de trio. EVOÉ!!!!
O convite para o Palacete das Artes rodin Bahia surgiu pela aproximação da estética do espetáculo com o inacabado das obras de Rodin. Um olhar sensível do pessoal do Museu que criou um link bacana entre nosso trabalho e o artista que foi uma das minhas maiores referências quando eu fazia Belas Artes. Me sentindo em casa!
O convite para o Palacete das Artes rodin Bahia surgiu pela aproximação da estética do espetáculo com o inacabado das obras de Rodin. Um olhar sensível do pessoal do Museu que criou um link bacana entre nosso trabalho e o artista que foi uma das minhas maiores referências quando eu fazia Belas Artes. Me sentindo em casa!
quinta-feira, 3 de março de 2011
ZEN paciência
Ohhh gente, vocês me deixem viu? Depois quando solto meu bom e estridente "vá tomar no meu cu, porque no seu você gosta!", tem quem ache ruim. Saio meu belo e contente para o carnaval baiano, ver as bandinhas e todo o povo que estava na rua quando me deparo com duas criaturas que não tinham o que fazer. O pior que essas duas são representantes de uma maioria que não externa o que pensa.
Primeira cidadã:
Chegando e procurando um canto bom para curtir a noite nos deparamos com uma multidão próxima ao bar Habbeas copos. Nós em fila indiana com uma galera que estava passando, ouço do meu lado uma vozinha dizer:
- Taí, o que eu não acho certo é isso: cadeira de rodas!
Ela se deu de bem porque eu estava num dia zen, ZEN bebida, ZEN estresse, ZEN vontade de brigar.
A pergunta que não quer calar: O QUE ELA TEM A VER COM A MINHA VIDA OU COM A VIDA DE QUEM USA CADEIRA DE RODAS? O que eu não acho certo é ela tomar nota da vida dos outros.
PERAMORDEDEUS, viu? Me faça uma garapa!
Segunda cidadã:
(pegando em meu rosto e sorrindo) - Ohhhhh, isso que é vontade e gostar de carnaval, viu?
Ohh gente, preciso comentar alguma coisa? Nosso velho, batido e chato discurso do coitadinho, da superação e da exclusão pelo viés da delicadeza e inclusão. Ohh, me desculpem, mas quem me conhece sabe que para mim o melhor xingamento é
VÁ TOMAR NO MEU CU!!!!
e pra relaxar cantemos juntos
Primeira cidadã:
Chegando e procurando um canto bom para curtir a noite nos deparamos com uma multidão próxima ao bar Habbeas copos. Nós em fila indiana com uma galera que estava passando, ouço do meu lado uma vozinha dizer:
- Taí, o que eu não acho certo é isso: cadeira de rodas!
Ela se deu de bem porque eu estava num dia zen, ZEN bebida, ZEN estresse, ZEN vontade de brigar.
A pergunta que não quer calar: O QUE ELA TEM A VER COM A MINHA VIDA OU COM A VIDA DE QUEM USA CADEIRA DE RODAS? O que eu não acho certo é ela tomar nota da vida dos outros.
PERAMORDEDEUS, viu? Me faça uma garapa!
Segunda cidadã:
(pegando em meu rosto e sorrindo) - Ohhhhh, isso que é vontade e gostar de carnaval, viu?
Ohh gente, preciso comentar alguma coisa? Nosso velho, batido e chato discurso do coitadinho, da superação e da exclusão pelo viés da delicadeza e inclusão. Ohh, me desculpem, mas quem me conhece sabe que para mim o melhor xingamento é
VÁ TOMAR NO MEU CU!!!!
e pra relaxar cantemos juntos
quarta-feira, 2 de março de 2011
Retrato Quase Apagado em que se Pode Ver Perfeitamente Nada
Chove torto no vão das árvores.
Chove nos pássaros e nas pedras.
O rio ficou de pé e me olha pelos vidros.
Alcanço com as mãos o cheiro dos telhados.
Crianças fugindo das águas
Se esconderam na casa.
Baratas passeiam nas formas de bolo...
A casa tem um dono em letras.
Agora ele está pensando -
no silêncio Iíquido
com que as águas escurecem as pedras...
Um tordo avisou que é março.
(Manoel de Barros - trecho de Retrato Quase Apagado em que se Pode Ver Perfeitamente Nada)
Chove nos pássaros e nas pedras.
O rio ficou de pé e me olha pelos vidros.
Alcanço com as mãos o cheiro dos telhados.
Crianças fugindo das águas
Se esconderam na casa.
Baratas passeiam nas formas de bolo...
A casa tem um dono em letras.
Agora ele está pensando -
no silêncio Iíquido
com que as águas escurecem as pedras...
Um tordo avisou que é março.
(Manoel de Barros - trecho de Retrato Quase Apagado em que se Pode Ver Perfeitamente Nada)
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